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Julgo que dificilmente haveria melhor ocasião para inaugurar o site da Embaixada de Portugal em Argel do que esta.
Trata-se de uma Embaixada de Portugal num dos países estrategicamente mais importantes do Magreb, num momento em que a Presidência portuguesa da União Europeia dá os primeiros passos e no quadro da qual as relações da Europa com os países da margem Sul do Mediterrâneo constituem uma prioridade. |
A minha experiência de cerca de três anos na Argélia consolidou a minha convicção de que não podemos construir a nossa relação com países como este na base de concepções políticas alicerçadas simplesmente em torno de preocupações com os fluxos migratórios ou a luta contra o terrorismo.
Nem tão pouco apenas numa perspectiva de internacionalização das nossas empresas e de penetração neste mercado em transformação, apesar de, como este site dará amplamente testemunho, se terem feito neste âmbito assinaláveis progressos.
Defendo que só a edificação de uma verdadeira parceria, com um horizonte composto por metas balizadas por objectivos concretos a atingir, nos planos político, cultural, económico, social e ambiental, poderá dar resposta aos problemas que a transição das economias do Magreb e a sua progressiva integração na economia global bem como os anseios destas sociedades por mais liberdade e, simultaneamente, por mais segurança, continuarão a levantar à Europa nos próximos anos.
Cabe à Europa dar resposta a estes desafios. No seu interesse, no nosso interesse.
Não perceber isto é não perceber “a margem Sul” e não perceber que, em termos europeus, uma Europa centrada mais a Este e mais a Norte não corre no sentido dos interesses estratégicos de um país como o nosso, com uma economia da dimensão e das características da nossa, com a nossa geografia, com a nossa Cultura e a nossa História.
A modesta contribuição desta Embaixada para o objectivo, estratégico repito, de lançar as bases de uma verdadeira parceria com os nossos vizinhos do Magreb, só tem tido êxito porque o Governo assumiu, de facto, como prioridade a relação de Portugal com a Argélia. Mas há ainda imenso por fazer: mãos à obra.
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