"Há uma nova abertura negocial na origem da iniciativa de paz árabe. O plano saudita deve ser avaliado com cuidado por Israel e pela comunidade internacional. O envolvimento da Arábia Saudita não pode ser deixado de lado", afirma ao DN Luís Almeida Sampaio, embaixador em Argel e coordenador da presidência portuguesa da União Europeia para o Médio Oriente.
O responsável indica, assim, um dos ingredientes que considera determinantes para o processo de paz israelo-palestiniano. Os outros são o relançamento do diálogo entre o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, bem como um envolvimento crescente do Quarteto para o Médio Oriente (ONU, EUA, UE e Rússia).
O plano saudita, de 2002, foi retomado em Março pela Liga Árabe e apresentado a Israel na quarta-feira, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da Jordânia e do Egipto. O documento prevê o reconhecimento de Israel pelos países árabes caso se retire dos territórios que ocupou em Junho de 1967. Olmert já propôs a Abbas um acordo de princípios para a criação de um Estado palestiniano.
"Quer israelitas quer palestinianos têm consciência de que a solução tem de ser internacionalmente ratificada. Este Quarteto é reconhecido pelas duas partes", lembra Almeida Sampaio, que na sexta-feira se reuniu, em Londres, com o enviado do Quarteto, Tony Blair. Este deve apresentar em Setembro propostas que permitam chegar a uma solução de dois Estados.
O problema chama-se Hamas. O movimento radical islâmico tomou o controlo da Faixa de Gaza a 15 de Junho, expulsando os membros da Fatah (partido de Abbas). Até agora, ninguém explicou como é possível relançar o processo de paz sem uma parte da sociedade palestiniana, que apoia o Hamas. "Quanto ao futuro Estado palestiniano é indispensável que haja instituições que funcionem. Mas a comunidade internacional não deixará de ajudar os palestinianos em Gaza. Não se pode ter a leviandade de os deixar entregues à sua sorte", refere o embaixador, que esteve com Abbas em Gaza pouco antes de o Hamas assumir o controlo.
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